São apenas 53 anos de emancipação política e mais de 12 mil anos de história pra contar. Quem quiser conhecer Iraquara pode buscá-la nos livros, mas nas imagens impressas nas paredes de grutas como a Lapa do Sol, que datam da época em que os homens demarcavam o território com as gravuras feitas à base de extrato de plantas como urucum, carvão vegetal e sangue de animais.

Elói NoelDo homem pré-histórico à era pré-colombiana um longo hiato se formou até os registros de ocupação deixados pelos indígenas, mais especificamente os tapuias e os mundurus, como os seixos rolados e os sambaquis que Elói Noel guarda em sua casa, no distrito de Iraporanga, que já foi conhecido por Esconso e também por Parnaíba, antes de chegar ao nome atual.

A origem dos nomes deste povoado conta um pouco dessa história que é anterior à chegada de Manoel Félix da Cruz e que seria o responsável pelo adensamento do que hoje é conhecido como a região central do município, graças á descoberta de um poço abundante que até hoje abastece a sede.

O próprio Manoel Félix só fez a descoberta quando procurava um atalho entre a sua moradia, na Canabrava, e o então povoado de Parnaíba, onde fazia a feira. Parnaíba foi um dos primeiros núcleos de povoamento da região, no início do século XVIII, com a abertura da estrada ligando os distritos de Jacobina e Rio de Contas para a exploração aurífera até as Minas Gerais, conhecida como Estrada Real.

Desiludidos com as taxações impostas pelo império à exploração do ouro, muitos portugueses se fixaram na região para dedicarem-se à agricultura e à pecuária. Nascia então Parnaíba, que em tupi-guarani significa lugar de muitas ilhas. Mas os rios que abundavam na região secaram e o local foi rebatizado com o nome de Esconso, que ilustra bem a aparência de despenhadeiro deixada pela seca. Mais tarde, com a chegada das abelhas africanas o local ganhou o nome atual, Iraporanga, que significa pote de mel.

Iraporanga é o maior distrito de iraquara

casarão-de-iraporangaCom quase 5 mil habitantes distribuídos em várias localidades distantes, como Pau D’Alho, Coité e Riacho do Mel, que foi colonizado por escravos fugitivos e atualmente é reconhecido comunidade quilombola. Iraporanga é reconhecida pela fartura de suas terras e pela simplicidade de sua gente festeira. A maior celebração anual local ocorre no dia 13 de junho, dia do padroeiro Santo Antônio.

casas do riacho do mel Paralelamente ao desenvolvimento de Iraporanga, outros povoados de relevância história cresceram em Iraquara, a exemplo de Olhos Dágua, colonizados por franceses e indígenas, e a localidade de Água de Rega, por onde passaram e se fixaram as tropas da coluna Prestes, expulsando seus moradores.

estrada real aqua de rega iraquaraVestígios desta confluência de tribos, povos, raças e crenças podem ser encontradas na fisionomia e no sotaque dos habitantes destes povoados, bem como nas mais legítimas expressões de sua identidade cultural, como os festejos do folclore representado pelos Ternos de Reis e Reisados, ao lado das festas populares como o São João antecipado de Iraquara; as festas da padroeira Nossa Senhora do Livramento; de Santo Antônio; de São José; de São Judas Tadeu; de São Pedro; Senhora Santana; Senhor do Bonfim e o Carnamel (Carnaval do Riacho do Mel).

cultura-Vila-IraporangaA diversidade cultural se reproduz na terra onde se planta milho, tomate, feijão, mandioca, palma, frutas e hortaliças, onde se criam bovinos e caprinos, e onde se produz o mel. Por tudo isso Iraquara é um lugar fascinante, uma realidade distinta em cada canto, um orgulho único de pertencimento a um povo que gosta e acredita no trabalho.

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